MATÉRIA SOBRE BICICLETAS E BICICLETARIA

MATÉRIA SOBRE BICICLETAS E BICICLETARIA

A bicicleta como alternativa sustentável de mobilidade

Administração municipal ainda encara bicicleta como mero lazer e não a insere no debate da mobilidade urbana.

 

 
“A bicicleta como parte da solução ao trânsito caótico das grandes cidades. Atividade física, lazer e mobilidade sustentável congregadas num só veículo”.
 
A “cultura da bicicleta”, hoje, pauta a vida de uma parcela considerável da sociedade curitibana, mas esse nicho, tão importante quanto vasto, parece não receber o devido respaldo por parte da administração pública da capital. Encaradas somente como entretenimento, as bicicletas precisam não apenas de circuitos dominicais de “Ciclofaixas do Lazer” – anunciados via estardalhaços publicitários pela grande mídia –; respeito à legislação, técnicos devidamente capacitados e, sim, a ampliação de espaços próprios para os ciclistas são medidas que, juntas, facilitam a construção de um trânsito verdadeiramente sustentável.  “Curitiba é privilegiada geograficamente. O terreno plano das principais ruas da cidade deveria ser melhor aproveitado”, observa o professor Maicon Guedes ao se referir à construção de mais ciclofaixas na capital. Sobre o drama do ciclista face a um trânsito cada vez mais denso, Maicon aponta que na av. República Argentina, por exemplo, “é praticamente impossível o trânsito de bicicleta. A rua é muito movimentada, não há espaço para bicicleta circular e um veículo realizar a ultrapassagem respeitando os 1,5m de distância previstos no Código, a canaleta é proibida pelo município e também não guarda segurança.”
 
Os 100 quilômetros de ciclofaixas existentes em Curitiba não dão conta de conectar a cidade de ponta a ponta. Desses, 85 são detalhados com buracos, faltas de rebaixos em meios fios, descontinuidade, falta de sinalização alertando motoristas sobre sua presença. Ademais, é comum encontrar pedestres dividindo espaço com ciclistas, nos chamados “passeios compartilhados” “Não sei se a prefeitura conta como sinônimos calçada e ciclofaixas”, questiona Guto Moliani, professor de comunicação da UTFPR. A bicicleta ainda está longe de protagonizar as principais discussões sobre mobilidade, no entanto, pouco a pouco as duas rodas vêm sendo vistas como solução limpa, saudável e sustentável para os problemas do trânsito curitibano. Neste último sábado (12), a OAB-PR promoveu um importante diálogo entre a Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu), sociedade civil e o arquiteto Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba e responsável por implantar as primeiras ciclofaixas na capital paranaense. Dentre os temas debatidos estavam o ciclismo utilitário na rede de transporte da cidade e a interação entre fator humano, veículo, via pública e meio ambiente. “Iniciativas como essas precisam ser mais constantes na cidade, pois são elas as fortificadoras dos debates democráticos; fundamentais na discussão e criação de propostas de desenvolvimento viário sustentável”, destaca Maicon, que também participou do evento.
Mas não só as ciclofaixas emergem como necessidade urgente, mas outros fatores como aplicação das regras de trânsito, impedindo carros estacionados em locais de deslocamento de bicicletas, respeito da distância em ultrapassagens feitas por veículos, mas principalmente a conectividade com outros modais e locais para estacionamento seguro.
Cidades europeias já adotaram a Bicicleta como meio sustentável de mobilidade, com oferta gigantesca para locação (em Paris, por exemplo, são mais de 20 mil unidades públicas, com locação gratuita na primeira meia hora) e ciclofaixas que cortam a cidade em todas as direções. Buenos Aires, Cidade do México, Bogotá, Rio de Janeiro e São Paulo já investem pesado no resgate desse modal, Curitiba está ficando a reboque nessa história. É preciso voltar a inovar, ser uma cidade modelo novamente.
 
MUITA VONTADE E POUCO DINHEIRO
 
Os direitos e deveres do ciclista, a cultura da bicicleta como forma de intervenção social e iniciativas culturais sobre trânsito sustentável são as principais bandeiras defendidas pela CicloIguaçu, organização de iniciativa privada que considera a vida do ciclista em todas as suas dimensões. Para Fernando Rosenbaum, cofundador da Associação e sócio da Bicicletaria Cultural, Curitiba é, ainda, uma cidade incipiente no que tange ao desenvolvimento de medidas de harmonização entre pedestres, veículos motorizados e bicicletas. “A prefeitura não tem técnicos capacitados para pensar na inclusão da bicicleta como meio de transporte urbano”, afirma o ativista. “Um prefeito é lembrado pela construção de ornamentos puramente simbólicos que muitas vezes não são muito eficientes. Não precisamos de grandes obras ou de estátuas estilizadas de bicicletas. Precisamos de medidas eficientes e inteligentes para mobilidade de todos no trânsito”, emplaca Rosenbaum. Os ciclistas representam uma fatia consciente e saudável de cidadãos ávidos por alternativas sustentáveis de urbanismo. Resta à grande mídia e à prefeitura reconhecerem a força dessas iniciativas.
 
 
Patricia Valverde, Fernando Rosenbaum e Prof. Maicon Guedes
 
 
CONSTRUA UMA CURITIBA MELHOR E MAIS SUSTENTÁVEL!
 
Abaixo, lista de blogs e sugestão de documentário sobre o cotidiano dos ciclistas em Curitiba.
 
 
 
DICAS: ANDANDO DE BIKE!
 

O que o Código de Trânsito Brasileiro diz sobre ciclistas e bicicletas? Confira aqui uma série de dicas sobre como se portar no trânsito quando estiver em cima das duas rodas! 

Em breve mais dicas e vídeos sobre a ciclomobilidade.

 

Por Maicon Guedes e Ramon Voltolini

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